Até onde vai essa crise?

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Se antes a discussão orbitava ao redor da existência ou não de uma crise econômica, agora a questão se estende aos seus efeitos e à sua duração.

Os efeitos são sentidos diariamente, não precisamos nos aprofundar muito nisso. É do que mais ouvimos falar no momento. Mas, até quando conviveremos com essa crise?

Os mais otimistas ainda defendem que não existe uma crise, ou que ela é reflexo do mundo globalizado. Os otimistas convencionais acreditam que “o pior já passou”. Conservadores creem que 2017 será melhor. Os pessimistas entendem que a crise se estenderá até o final do governo Dilma. Já os profetas do apocalipse vão além, e insistem na sua duração ainda ao longo dos primeiros anos do próximo presidente. Mas, afinal, por quanto tempo ainda essa crise perdurará?

A resposta a essa pergunta está intimamente atrelada à recuperação da confiança de empresários e consumidores. Um detém o capital para investir e o outro a renda para rentabilizar o capital investido. Uma conjunção de fatores abalou a confiança de praticamente todos os setores da economia. Já sobrevivemos a outros eventos catastróficos, mas este parece superar tudo aquilo que vivenciamos nas décadas de 70, 80 e 90.

Empresários são, em sua grande maioria, racionais, matemáticos, etc. Não há espaço para lidar com a emoção. Estão calejados, sofridos. Não vão investir simplesmente porque a presidente Dilma tenta pintar um arco íris em meio a essa tempestade. Estão agora em posição defensiva, porém ansiosos, aguardando o momento adequado para retomar seu papel de protagonista na sociedade capitalista.

Os consumidores, por sua vez, apresentam comportamentos variados. Você vai ver gente comprando carros e imóveis, fazendo dívidas de longo prazo. Se viajar mundo afora, encontrará milhares de brasileiros passeando, gastando, felizes da vida, como se nada estivesse acontecendo. Mas também vai ver muita gente vagando por shoppings no final de semana, de mãos vazias, sem a menor intenção de gastar um centavo, apenas passando o tempo com a família. Vai ver muita gente comendo pizza em casa, ao invés de enfrentar as enormes e intermináveis filas dos restaurantes mais bem frequentados de sua cidade. Vai ver muita gente mal-humorada, azeda, descrente, desanimada, etc.

Isso ocorre por que o universo de consumidores é muito variável. Ele é composto de funcionários públicos, aposentados, assalariados em seus diferentes níveis e estágios, profissionais liberais, profissionais na informalidade, pessoas vivendo de rendas ou heranças, etc. No caso dos consumidores, não há uma receita ou uma resposta única para este momento. Muita gente sofre o efeito da crise, ou mesmo não sofrendo diretamente na pele, tem receio do que vem por aí. Outros, estão surfando uma bela e gigantesca onda; estão ganhando dinheiro, seja como assalariado, profissional liberal ou qualquer outra coisa. Infelizmente, a massa positiva é muito menor que a massa afetada materialmente ou psicologicamente pelo momento atual, e ela por si só, não é suficiente para mover essa complexa e intrigante roda gigante que é o Brasil.

Para ilustrar tudo isso, vamos usar o exemplo da indústria automotiva, um dos setores mais afetados pela atual situação brasileira. À medida que os empresários testemunharem novos pedidos das concessionárias e observarem os pátios abarrotados de carros esvaziando, voltarão a investir, seja na recontratação de mão de obra para a reativação dos turnos fabris, seja na modernização ou ampliação do parque fabril. Aos poucos, tudo voltará ao normal, e os efeitos perversos da crise se dissiparão.

Mas, o que precisa acontecer para que essa enorme massa de consumidores volte a desempenhar seu importante papel de consumidor de bens e serviços?

Primeiro, o Governo precisa sinalizar claramente que a situação está sob controle. Tem que deixar claro que existem um ou mais objetivos a serem perseguidos, e que esse caminho, árduo ou não, já está sendo trilhado. Bem, pelas frases desconexas da nossa atual presidente e das inúmeras tentativas em vão de nosso ministro da economia em implantar essa receita “milagrosa”, percebemos que ainda falta muito para a retomada do controle.

Segundo, as lideranças do nosso país precisam atuar de forma consensual, sejam elas empresariais, intelectuais, políticas, sociais ou religiosas. Disputa de cabo de guerra, neste momento, é prejudicial para o Brasil. Porém o que observamos é justamente o contrário. Vemos muitas trocas de acusações. Ora pendem para um lado, ora pendem para outro. Querem apenas “destruir”, e não construir.

Isso, por si só, tornará difícil a melhoria do cenário econômico no curto ou no médio prazo. E quanto mais demorarmos, mais pessoas serão contaminadas pelo pessimismo. Aquela massa positiva que citei há pouco, diminuirá, encorpando o enorme exército de brasileiros angustiados, desanimados, tensos, mal-humorados.

Fatores externos podem ajudar, como por exemplo a desvalorização do real frente ao dólar (que teoricamente impulsiona as exportações) ou a recuperação dos preços das commodities. Mas também podem atrapalhar, como vimos no caso da crise hídrica ou dos problemas enfrentados pela Argentina. É melhor contarmos pouco com essas variáveis.

Precisamos de uma luz no final do túnel. Mas a coisa anda tão feia, que já furtaram os cabos de energia que poderiam iluminar o túnel. Teremos que reconstruir esse caminho e iluminá-lo de uma outra forma.

Por isso, ainda podemos piorar para depois começarmos a melhorar.

Isso não significa que você deve sentar, lamentar e chorar. Pelo contrário, mexa-se. Se você é empresário, busque alternativas, ataque o mercado como nunca atacou. Inove. Conclame sua equipe à luta. Se você é assalariado, é a hora de se destacar, de mostrar a que veio, de provar seu real valor para a empresa. Sim, ela (a empresa) poderá demitir, ninguém está livre disso, mas que não seja você.

Não faço parte dos pessimistas, estou apenas respondendo à questão central deste artigo. Vai demorar? Sim, provavelmente vai. E a demora será proporcional ao cenário de desconfiança criado e alimentado por aqueles que deveriam, ao contrário, conduzir este país ao crescimento e ao desenvolvimento. Enquanto presidente, ministros, senadores e deputados continuarem olhando exclusivamente para seus umbigos, dificilmente sairemos desse atoleiro, que eles mesmos nos colocaram.

Teremos que esperar uma nova eleição para tentar reconstruir este país? Tomara que não, pois do jeito que votamos mal, é melhor não contarmos com isso. Já que Deus é brasileiro, vamos rezar muito para que ele ilumine nosso caminho, para quem sabe, encontrarmos aquela luz no final do túnel.

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